Ultrassom para ver a posição do DIU: quando fazer e o que significa DIU baixo ou deslocado

Ilustração de um útero com um DIU em forma de T na posição correta e uma sonda de ultrassom ao lado

Texto para pacientes e familiares. Este artigo foi escrito em linguagem simples para quem não é da área da saúde. Ele ajuda a entender o exame e o laudo, mas não substitui a consulta: só o seu médico, que conhece a sua história e os seus exames, pode interpretar o resultado no seu caso. Se o laudo disser que o DIU está deslocado, use outro método contraceptivo (como a camisinha) até conversar com o seu ginecologista. Dor forte na barriga, febre ou suspeita de gravidez exigem atendimento, sem esperar.

O ultrassom para ver a posição do DIU é, em geral, um ultrassom transvaginal simples, rápido e sem preparo especial. Ele mostra se o DIU está dentro do útero, no lugar certo (perto do “teto” do útero, chamado fundo), ou se desceu, girou, entrou na parede do útero ou saiu. Muitas mulheres não precisam desse exame de rotina: ele costuma ser pedido quando o médico não sente ou não vê os fios, quando há dor, sangramento diferente do habitual ou atraso menstrual, ou como controle depois da colocação, conforme a rotina de cada serviço.

Se você leu “DIU baixo” ou “DIU deslocado” no laudo, é normal ficar preocupada. Vamos explicar o que cada termo quer dizer.

Quando o ultrassom do DIU é indicado

As diretrizes do CDC dos Estados Unidos (U.S. SPR, 2024) dizem que, em mulheres saudáveis, não é obrigatória uma consulta de retorno de rotina depois da colocação do DIU. Mesmo assim, no Brasil muitos médicos pedem um ultrassom de controle algumas semanas depois da inserção. As duas condutas existem na prática, e quem decide é o seu ginecologista.

Em geral, o ultrassom é pedido nestas situações:

  • Controle após a colocação, quando faz parte da rotina do médico ou do serviço.
  • Fios não aparecem no exame ginecológico ou você não consegue senti-los.
  • Dor ou cólica que não melhora ou que é diferente do que você sentia.
  • Sangramento diferente do esperado para o seu tipo de DIU.
  • Atraso menstrual ou teste de gravidez positivo.
  • Suspeita de que o DIU saiu, por exemplo, se você sentiu a ponta dele.

Como é o exame e qual o preparo

O exame mais usado é o ultrassom transvaginal: uma sonda fina, coberta com preservativo e gel, é colocada na entrada da vagina. Ela fica bem perto do útero, por isso a imagem é muito mais nítida do que pela barriga. Em geral não dói; pode haver um leve desconforto. A sonda não mexe no DIU.

Se quiser saber mais sobre o exame em si, veja o nosso guia sobre ultrassom transvaginal: se pode fazer menstruada e se dói.

Preparo mais comum:

  • Não precisa de jejum.
  • Bexiga vazia: em geral, pedem para você urinar antes.
  • Pode fazer menstruada, na maioria dos serviços.
  • Informe o tipo de DIU e a data da colocação. Isso ajuda quem faz o exame.

Quando o transvaginal não é possível, o exame pode ser feito pela barriga, com a bexiga cheia, mas a imagem costuma ser menos detalhada. Veja as diferenças no texto sobre ultrassom pélvico: via abdominal ou transvaginal.

Alguns serviços usam também o ultrassom 3D, que mostra melhor os braços do DIU. Ele não é obrigatório para todas.

DIU de cobre x DIU hormonal no ultrassom

O DIU tem formato de T: uma haste (a parte vertical) e dois braços (a parte de cima). Os fios ficam presos na ponta de baixo e passam pelo colo do útero.

Tipo de DIU Como funciona Como costuma aparecer no ultrassom
Cobre (e cobre com prata) O cobre atrapalha a passagem e a sobrevivência dos espermatozoides Muito brilhante, o T inteiro aparece bem branco
Hormonal (Mirena, Kyleena e similares) Libera levonorgestrel, um hormônio que age principalmente dentro do útero Aparece mais como uma “sombra” escura atrás da haste; as pontas brilham mais
Kyleena Hormonal, de tamanho menor Tem um pequeno anel de prata perto dos braços, que aparece bem brilhante

Por isso não se assuste se o laudo do DIU hormonal falar em “sombra acústica”: é o jeito normal de ele aparecer. Se quiser entender outras palavras do laudo, temos um texto sobre anecoico, hipoecoico, hiperecoico e outros termos.

O que significa “DIU normoposicionado”

Normoposicionado quer dizer na posição normal. É o resultado esperado. Significa que:

  • o DIU está dentro da cavidade do útero (o espaço interno onde fica o endométrio);
  • a parte de cima, com os braços, está perto do fundo do útero;
  • os braços estão abertos para os lados;
  • não há sinal de que ele tenha entrado na parede do útero.

O laudo também pode trazer a distância entre o DIU e o fundo do útero. Os valores considerados aceitáveis variam entre serviços, então quem interpreta esse número é o seu médico.

O que é DIU baixo ou deslocado

“Deslocado” (ou “mal posicionado”) é um nome geral para quando o DIU não está no lugar ideal. O laudo pode descrever situações diferentes:

Termo no laudo O que quer dizer, em palavras simples
DIU baixo ou DIU na porção inferior Está dentro do útero, mas mais para baixo, longe do fundo
DIU no colo ou intracervical Parte do DIU desceu para o colo do útero, o “canal de saída”
DIU rodado ou transverso O T está virado, de lado ou de ponta-cabeça
DIU encravado ou embebido Um braço ou a haste entrou na parede muscular do útero
Perfuração O DIU atravessou a parede do útero (é raro)
Expulsão O DIU saiu do útero, às vezes sem a mulher perceber

Saber qual dessas situações é a sua faz diferença, porque a conduta muda de uma para outra.

DIU baixo perde eficácia?

Essa é a dúvida mais buscada, e a resposta honesta é: depende do tipo de DIU e de onde ele está.

  • DIU de cobre no colo do útero: estudos encontraram mais casos de gravidez quando o DIU de cobre estava no colo. Por isso, em geral, ele não é considerado confiável nessa posição.
  • DIU hormonal baixo, mas ainda dentro do útero: especialistas acreditam que o hormônio continua agindo no útero mesmo com o DIU um pouco abaixo do ideal, então o risco parece menor do que com o de cobre. Mas os dados ainda são limitados.
  • Qualquer DIU baixo: a diretriz britânica de contracepção (FSRH) diz que a eficácia de um DIU baixo não pode ser garantida. A decisão de manter, reposicionar ou trocar é individual e feita em conversa com você.

Os estudos mostram uma associação, mas não um risco exato que valha para todas. Por isso, até conversar com o seu ginecologista, use outro método (como a camisinha).

O que costuma ser feito depois

Não existe regra única. O médico considera o tipo de DIU, a posição, os sintomas e o seu desejo de evitar gravidez. As opções mais comuns são:

  • Manter e acompanhar, por exemplo um DIU hormonal pouco abaixo do ideal em mulher sem sintomas.
  • Retirar e colocar um novo, quando o DIU está no colo, rodado ou causando dor ou sangramento.
  • Retirar com histeroscopia (uma câmera fina passada pelo colo), quando ele está encravado.
  • Cirurgia (geralmente por videolaparoscopia), quando há perfuração e o DIU está fora do útero.

Fio do DIU não aparece: e agora?

Os fios podem “sumir” por motivos simples, como ter subido para dentro do colo. Mas também podem não aparecer porque o DIU saiu ou mudou de lugar. Em geral, o caminho é:

  1. Fazer um teste de gravidez, se houver qualquer chance.
  2. Usar outro método contraceptivo até saber onde o DIU está.
  3. Fazer o ultrassom, de preferência transvaginal, para localizar o DIU.
  4. Se o ultrassom não encontrar o DIU dentro do útero e não houver certeza de que ele saiu, o médico pode pedir um raio-X da barriga e da pelve para ver se ele está fora do útero.

Se o ultrassom mostrar que o DIU está no lugar certo, a boa notícia é que, em geral, ele pode ficar até a data de troca, mesmo sem os fios visíveis.

Quando procurar o médico ou o pronto atendimento

Procure atendimento sem esperar se você tem DIU e:

  • sente dor forte na barriga ou na pelve;
  • tem febre, calafrios ou corrimento com mau cheiro;
  • tem teste de gravidez positivo ou atraso menstrual com dor ou sangramento (a gravidez com DIU precisa ser avaliada logo, porque há risco de gravidez fora do útero);
  • tem sangramento muito intenso, que encharca o absorvente em pouco tempo, ou tontura;
  • sente a ponta do DIU no colo ou percebe que ele saiu.

Marque consulta com o seu ginecologista, sem urgência, se:

  • o laudo diz DIU baixo ou deslocado e você não tem sintomas (use camisinha até a consulta);
  • você não sente mais os fios;
  • as cólicas ou o sangramento mudaram em relação ao habitual.

Perguntas frequentes

Precisa fazer ultrassom depois de colocar o DIU?

Não é obrigatório para todas. As diretrizes internacionais não exigem retorno de rotina, mas muitos ginecologistas pedem um ultrassom de controle. Siga a orientação de quem colocou o seu DIU.

Quanto tempo depois de colocar o DIU posso fazer o ultrassom?

Não há um prazo único. Em geral, o controle é feito algumas semanas depois da colocação, muitas vezes após a primeira menstruação. Se houver dor forte, febre ou suspeita de gravidez, o exame é feito na hora, sem esperar.

DIU baixo pode engravidar?

Pode haver mais risco, principalmente com o DIU de cobre no colo do útero. No DIU hormonal ainda dentro do útero, o risco parece menor, mas a eficácia não pode ser garantida. Use outro método até falar com o seu médico.

O DIU pode sair do lugar sozinho?

Sim. A saída do DIU (expulsão) e a descida para uma posição mais baixa podem acontecer sem que a mulher perceba, com mais frequência nos primeiros meses após a colocação. Por isso é importante seguir as orientações de controle.

O ultrassom transvaginal pode tirar o DIU do lugar?

Não. A sonda fica na vagina e não toca no DIU. O exame não muda a posição dele.

Conclusão

Ler “DIU baixo” ou “deslocado” no laudo assusta, mas não é motivo para pânico. Existem situações bem diferentes por trás dessas palavras, e o seu ginecologista vai avaliar qual é a sua e o que fazer. Enquanto isso, proteja-se com outro método e fique atenta aos sinais de alerta.

Se você é profissional de ultrassom, conheça o UltraLaudo, plataforma de laudos estruturados que ajuda a deixar o laudo mais claro para médicos e pacientes.


Referências

  • Centers for Disease Control and Prevention. U.S. Selected Practice Recommendations for Contraceptive Use, 2024. MMWR Recommendations and Reports, 2024;73(3). https://www.cdc.gov/contraception/hcp/usspr/
  • Faculty of Sexual and Reproductive Healthcare (FSRH). FSRH Guideline: Intrauterine Contraception. Reino Unido, 2015 e versões posteriores. https://www.fsrh.org/
  • Braaten KP, Benson CB, Maurer R, Goldberg AB. Malpositioned intrauterine contraceptive devices: risk factors, outcomes, and future pregnancies. Obstetrics & Gynecology, 2011;118(5):1014-1020.
  • Braaten KP, Goldberg AB. Malpositioned IUDs: when you should intervene (and when you should not). OBG Management, 2012;24(8).
  • Nowitzki KM, Hoimes ML, Chen B, Zheng LZ, Kim YH. Ultrasonography of intrauterine devices. Ultrasonography, 2015;34(3):183-194. doi:10.14366/usg.15010

Conteúdo educativo para leigos. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento. Em caso de dúvida sobre o seu exame, converse com o médico que pediu o ultrassom.

Deixe um comentário